Retomo a obra de Marivaux com mais um volume contendo “La Double Inconstance”  e “La Seconde Surprise de l’Amour” ilustrados por Paul-Émile Bécat. 

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Marivaux, La Double Inconstance, Éditions Arc-en-Ciel, 260pp, 1952
12 ilustrações hors-texte por Paul-Émile Bécat

Desta vez, algo um pouco diferente. Neste post fujo à ilustração de obras literárias e entro nos meandros dos diários gráficos com um livro contendo ilustrações sobre Lisboa. O colectivo Urban Sketchers é o responsável pelos desenhos que percorrem Lisboa com diferentes pontos de vista e diversas técnicas de desenho. Curiosamente, o meu despertar para a dinâmica deste grupo (e outros afins pelo mundo) é relativamente recente. Sabia, obviamente, que existiam diários gráficos e já tinha visto alguns, mas só há talvez uns dois anos é que percebi que existe uma dinâmica muito forte de ligação entre os vários artistas, quer na divulgação de conhecimentos, com a realização de workshops, quer com a realização de encontros e publicações colectivas. Dentro da mesma temática, relembro o volume de André Carrilho, Inércia, de que falei há uns tempos.

E éis apenas alguns exemplos do que podem encontrar neste livro onde quem desenha sabe ocupar o espaço da página. E isso, já sabem, diz-me muito.

Aproveito para deixar uma última nota. Já aconteceu ter recebido mensagens sobre a qualidade das imagens disponibilizadas neste blog, com pedidos de imagens de maior qualidade e resolução. Sobre esse assunto é importante lembrar que: 1) O objectivo deste blog não é ser um repositório de ilustrações, mas apenas uma janela para trabalhos de ilustração em livros que tenho na biblioteca; 2) Apesar de, em alguns casos de edições francesas, isso ser mais fácil, por serem em folhas soltas, as imagens não são digitalizadas, mas apenas fotografadas em condições de luz ambiente. O meu objectivo não é danificar os volumes para os dar a conhecer; 3) Todas essas ilustrações são fruto do trabalho de diferentes artistas e, apesar de em muitos casos os livros em causa estarem fora de edição há mais de 50 anos, outros são ainda bastante recentes (como este) pelo que não se pretende ser uma alternativa à compra do livro ou da ilustração ao autor, quando isso seja possível.

Volto hoje a Júlio Verne, naquele que é, pelas minhas contas, o décimo post sobre as Voyages Extraordinaires publicadas por Maurice Gonon. O volume de hoje contém um dos romances mais conhecidos deste autor, Vinte Mil Léguas Submarinas, e é ilustrado por Chapelain-Midy. Para as duas pessoas que costumam ler este blog, já deverão conhecer a minha predilecção por uma composição das páginas das ilustrações hors-texte que enquadre a ilustração no branco da página, servindo essa “moldura”, na minha pouco informada opinião, de contraste com a cor (ou mesmo os tons de cinza) da ilustração. Ora, este volume é um bom exemplo daquilo que não gosto. Apesar das ilustrações de Chapelain-Midy não serem das minhas preferidas nesta colecção, com uma ou outra excepção, a composição das páginas também não ajuda.

Voltamos hoje a mais ilutrações de Paul-Émile Bécat, desta vez para as obras de Marivaux. As Éditions Arc-en-Ciel editaram, em 1952, um conjunto de seis volumes contendo a obra teatral de Marivaux, tendo todos os volumes sido ilustrados por Bécat. Abaixo seguem algumas imagens do conjunto, para que tenham uma idea geral do seu aspecto. À semelhança de muitas das obras editadas por essas alturas, estas obras de Marivaux vêm em folhas soltas guardadas numa capa dura com caixa. O conjunto existente na Pequena Biblioteca pertence aos 200 exemplares numerados que contém, em separado, uma reprodução de todas as ilustrações incluídas nos volumes, a cores e a preto e branco.

As ilustrações que vos deixo hoje correspondem às do primeiro volume, que contém duas obras “La Surprise de l’Amour” e “l’École des Mères”. Assinala-se a atenção ao detalhe, regra de Bécat, e a agradável composição de página.

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Marivaux, La Surprise de l’Amour, Éditions Arc-en-Ciel, 260 pp.,1952
12 ilustrações hors-texte de Paul Émile Bécat

Volto hoje a Júlio Verne e a mais um dos volumes das Voyages Extraordinaires editadas por Maurice Gonon. Desta vez olhamos para as ilustrações dos volumes de “Os Filhos do Capitão Grant” da autoria de André Planson, artista do qual nunca tinha ouvido falar. Apesar da pouca atenção ao detalhe que, em alguma situações, e para alguns artistas, resulta em ilustrações com um ar marcadamente pueril ou desajeitado, no caso destas ilustrações de André Planson o resultado final é (em geral) bastante agradável com uma utilização engenhosa da cor e uma composição da página bastante agradável. Este último ponto, no qual costumo insistir bastante, é essencial para mim. A utilização do branco da página como enquadramento a uma ilustração de contornos irregulares resulta, na minha modesta opinião, numa peça artística visualmente mais apelativa. A ilustração de página inteira, i.e., com o desenho a atingir o limite da página, expecialmente se isso só acontece para uma ou duas margens, fica horrível. Sobre este assunto fico na dúvida sobre de quem era a escolha relativamente a esse aspecto: se do artista, se do editor. Tendo em julgar como mais plausível a primeira, mas não tenho nenhuma fonte que o suporte.

 

Há uns dias apresentei aqui uma obra ilustrada por Paul-Émile Bécat – Graziella, de Lamartine – e, na altura, referi que havia na Pequena Biblioteca outros volumes ilustrados por ele. Uma dessas obras é este La Vie des Dames Gallantes, de Brântome, editado pela Athéna (de que já vos mostrei L’Art D’Aimer), em dois volumes, com 25 ilustrações hors texte a cores, incluindo as ilustrações da capa de cada volume. Aqui, as ilustrações de Bécat são mais exuberantes do que as feitas para Graziella, quer pelo sua índole mais erótica, quer pelo facto de serem apresentadas hors texte. À semelhança de outros volumes da Athéna, que conheço, nota-se o cuidado na paginação e na composição de todo o volume.


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Brantôme, La Vie des Dames Galantes, Athéna, 2 volumes, 1948
25 ilustrações hors texte, a cores, de Paul-Émile Bécat.

Volto hoje a mais um volume das Voyages Extraordinaires de Júlio Verne, editadas por Maurice Gonon. Desta vez trata-se de Atribulações de Um Chinês na China ilustrado por André Collot. Apesar de o trabalho de ilustração de André Collot nem sempre me agradar, em outras obras que conheço, pela forma como retrata as pessoas, este volume é uma excepção. As ilustrações neste volume são fenomenais, como podem ver.